Liberdade


Sempre fui muito intensa. Desde criança tive uma obsessão por liberdade, na verdade algo muito mais além do que liberdade. Era por momentos; pelo simples fato de querer e poder sentir.

Algumas crianças caçavam pedras, borboletas e tesouros, eu caçava emoções. Ansiava por algo muito além daquilo que eu pudesse guardar por um curto período de tempo em um pote de vidro na prateleira em cima da minha cama. Eu ansiava por experiências. Experiências que antes eu ainda não entendia que se tornariam cicatrizes em minha pele e lembranças armazenadas dentro de mim pelo resto da minha vida. 


Naquela época eu não entendia o porquê de ser tão diferente das outras crianças. Eu não entendia o porquê de ser boa e totalmente dedicada em tudo que eu fazia, mas incapaz de finalizar algo. Eu queria demais. Eu queria saber demais, entender demais, viver demais, ter feito demais. Eu queria viver uma vida de duzentos anos em uma década. Eu sentia uma grandeza que se limitava dentro de um corpo frágil e pequeno, de certa forma que eu carregava isso como uma frustração.

A verdade é que hoje eu entendo o porquê. Algumas pessoas podem viver cem anos e sentir nem ao menos a metade do que eu senti em duas décadas. Eu coleciono estórias. Eu admiro o ser humano. Eu admiro qualquer ser que entende que não basta só existir, que a vida vai muito mais além do que isso, que a verdadeira essência é SER humano. Eu gostaria que as pessoas se apegassem menos a coisas pequenas e passageiras, que pensassem menos nas consequências, e que se aceitassem e permitissem viver a vida, elas entenderiam que o tempo cura qualquer ferida.

O tempo... Para os magoados, tempo é o remédio, mas para quem vive cem anos tempo é uma maldição. Para aqueles que não têm muito tempo, bom... Eles param de pensar no tempo e esses são os primeiros a serem humanos.

Eles acreditam que cada um de nós é designado para algo durante a vida. O livre arbítrio funciona na escolha do caminho que você vai tomar até chegar lá, mas não existe caminho certo ou caminho errado, o caminho fácil ou o caminho mais difícil. Os caminhos se resumem a que ponto você vai se permitir. Eu sinto orgulho de quem eu sou e daquilo que vivi. Eu amei as pessoas que tive que amar, ri com quem tive que rir e compartilhei minha dor com quem era capaz de carregá-la comigo.


Humanos. Eu conheci tantas pessoas extraordinárias, eu assisti tantas delas morrerem. E eu me pergunto qual caminho eles escolheram, qual foi a história que seria contada por elas? A minha minha obsessão pela liberdade vai além de qualquer momento que eu vivi, porque quando eu tinha oito anos, depois de quebrar minha perna duas vezes em menos de um ano, eu entendi o quão frágil a vida é e quão insignificante nós somos.


Eu não quero mudar o mundo, nunca foi minha ambição. Minha ambição foi e sempre será mudar mundos e compartilhar a história de cada um. O meu maior desejo é fazer com que as pessoas ao redor de mim vivam tudo o que eu vivi e almejem viver tudo aquilo que talvez não vou ser capaz de viver.

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