• Astrid Lacerda

Lola + Javier

2:59 AM. Eu estava exausto, cansado psicologicamente, mas eu sabia que poderia derrubar uma porta ou esmurrar uma parede sem me esforçar. Antes de conhecê-la eu vivia apático em relação a minha vida, a vida que eu achava certo levar, e então ela simplesmente invadiu meu mundo sem permissão. Nada era calmo ou morno com ela, era exatamente como um furacão. E só Deus sabia o quanto eu desejava não tê-la conhecido.

- Por que você ficaria? Não prendo nem um pássaro. Não conseguiria prender você. – “Logo você…” Bufei. Como eu queria, meu desejo era não só engaiolar ela, mas também o coração dela. - Baby, mesmo se eu ficasse, não ficaria porque você me prendeu. Ficaria porque eu finalmente me senti livre do lado de alguém. - Você é realmente muito boa em não permitir que as pessoas amem você.

Ela sorriu. Não era o meu sorriso, aquele que ela me oferecia tão facilmente antes. Que saia dos cantos da boca e chegava aos olhos provocando mínimas linhas de expressão.

- Com o passar dos anos minhas noites se desvalorizaram por eu dormir na cama de homens que não me valorizavam. Antes, eu não adormecia do lado de alguém porque eu esperava dormir do lado do homem que finalmente me passaria segurança. Talvez hoje eu me sinta vazia por isso… Por deixar pedaços de mim na cama de homens que eu jurava amar.


“Pedaços”. Escutar ela dizendo essa palavra engasgada em um fio de voz, doeu. Eu sabia que nunca iria me libertar dela, por mais que eu tentasse ou rogasse aos céus. Poderia odiá-la, mas ainda amaria a maneira em que ela segurava o cigarro, ou aquele sorriso que ela dava só para mim. Ela tinha esse poder. Ela poderia nunca se render, mas se permitia intensamente, e nós sugávamos toda intensidade dela, cada momento, sorriso, beijo ou mania, simplesmente por querermos mais, muito mais do que ela poderia dar, sem saber que o que ela dava era tudo o que conseguia. Não havia como se dar por satisfeito dela. Infelizmente ela sabia, sabia de todas as partes de si mesma que deixou pra trás, incrustadas na carne de todos os homens que conheceu.


Texto escrito em 2015.

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