• Astrid Lacerda

Uma carta aberta e não um desabafo

Eu recebi uma mensagem de uma seguidora perguntando se estava tudo bem comigo por eu estar “desaparecida” das redes sociais. A verdade é que eu não tinha notado isso, acho que foi acontecendo gradativamente desde minha mudança de volta para o Brasil. Na percepção dela havia algo errado, mas quando parei para pensar e tentar encontrar um problema relacionado a isso, eu não encontrei. Pela primeira vez na vida estava tudo bem. ESTÁ tudo bem.

Os últimos oito meses foram de extrema importância para mim como indivíduo, mulher e ser humano. Quando eu parei de procurar incansavelmente um sentido para minha vida foi quando o meu propósito me encontrou. Eu não escolhi ele, o meu propósito que me escolheu e a escolha que tomei foi aceitá-lo.

Faz cinco anos que compartilho abertamente meu dia a dia nas minhas redes sociais, e através do meu estilo de vida, das minhas escolhas e dores, fui conquistando aos poucos um público que se identificava. Eu sei que ajudei indiretamente muitas pessoas – morando em Los Angeles, com meus textos e histórias -, sei que ajudei diretamente também – os conselhos dados por mensagens privadas, os e-mails respondidos... Eu lembro de cada história, de cada dor e dúvida que alguém escolheu compartilhar comigo porque essas pessoas já viam em mim algo que nem eu mesma via. Sim, eu inconscientemente já fazia o que faço hoje, mas eu estava tão focada em ser alguém (em redes sociais), em me comparar com os outros por conta desse excesso de informações: good vibes, vida perfeita, descolada, etc, que eu não conseguia reconhecer que estava no caminho do meu chamado e que eu já estava sim influenciando positivamente. Hoje eu sei que o meu foco e minhas prioridades só estavam desalinhadas: eu queria um algo superficial, porque o conteúdo genérico era o único que eu conhecia, era uma máscara e era falso, era o padrão que eu via nos outros no Facebook, Instagram, Twitter, etc.


A verdade é que eu não precisava ter me cobrado tanto, sem a pressão que coloquei em mim, talvez eu reconheceria o bem que eu estava fazendo desde aquela época. Não que hoje eu fosse fazer diferente, eu precisei sim passar por tudo isso, hoje eu sei que a vida me preparou para o momento de agora. Eu abri mão de muitas coisas e escolhi voltar para casa. Muitas pessoas me perguntam o porquê, já que eu morava em Los Angeles e tinha a vida que elas queriam.


Essa mentalidade era a que eu tinha: eu vivia a experiência dos outros através de uma tela, ao invés de estar presente nas minhas próprias experiências.

Voltar para o Brasil foi a melhor coisa que eu fiz na minha vida porque eu comecei de novo. Eu abri sim mão de muitas coisas, como também perdi muitas coisas - talvez se eu não tivesse perdido o que perdi não teria tido a coragem de abrir mão do que ainda restava. Isso fez eu analisar as minhas prioridades. Foram cinco anos compartilhando online freneticamente minha vida para desconhecidos, pessoas que eu não sabia quem eram. Por mais que eu ajudasse um pouco elas, ainda existia uma barreira entre: elas eram estranhas. E eu queria mais, eu sempre quis mais.


Em novembro de 2017 foi quando meu propósito me encontrou, eu já estava estudando coaching, mas não tomei como prioridade até revê-las, isso aconteceu na dor para mim: um acidente de carro e uma suspeita de tumor na cavidade oral. Quando passamos por esse tipo de situações começamos a questionar se o que vivemos é realmente real ou se faz algum sentido. Eu escolhi não ser vitima dessas dúvidas e escolhi também mudar as respostas que dei para essas perguntas.


De fevereiro até o dia de hoje, eu atendi um total de 253 pessoas. Foram 253 pessoas que eu ajudei de alguma forma a encontrarem o propósito delas e terem clareza sobre quem elas são. Eu passei a fazer parte não de um mundo online, mas do mundo de cada um que escolheu reescrever a própria história. Isso NUNCA seria possível se antes eu não tivesse encontrado o meu propósito, ou melhor... Que meu propósito tivesse me encontrado. Quando ele me encontrou, eu escolhi dar o melhor de mim, me especializar da melhor maneira possível para ajudar as pessoas que precisavam de mim, porque elas acreditaram em mim quando eu ainda não acreditava.


Eu amava pessoas e dali para frente tomei a decisão que seria o meu trabalho e existe uma coisa que sempre fui boa: em estratégias e soluções. Vocês acompanharam minha vida e em viram como eu me recuperava tão rápido depois de dores, fracassos e decepções. Eu entendia o problema, mas preferia focar na solução dele. Eu tinha resiliência e eu queria começar a passar para o próximo também. Hoje escolhi estudar Psicologia para aprender o que eu ainda não sei e ter autonomia de ajudar casos que ainda não posso ajudar, casos que vão além de estratégias de vida, produtividade e finanças.


Esse contato direto com meus clientes me ensinou muito sobre o ser humano. Eu evolui em oito meses o que algumas pessoas levariam a vida toda e essa evolução só aconteceu porque EU ESCOLHI evoluir. Se tornou minha prioridade. Essas pessoas que ajudei deixaram de ser estranhos para mim, tornaram-se parte da minha vida, então eu trabalhava cada vez mais porque pela primeira vez eu estava apaixonada e obcecada pelo que eu fazia. Eu comecei a me conhecer melhor, recuperar a minha identidade que perdi nesses cinco anos, voltei a fazer atividades que amava (dançar, andar a cavalo, viajar, nadar, explorar), voltei a escrever, ler livros que havia deixado de ler, me dei a chance de estar presente conversando e conhecendo pessoas ao meu redor, aprendi a ficar sozinha como mulher, me amar como mulher sem depender de um homem pra me oferecer esse amor, passei a dar valor para os meus amigos de anos que nunca saíram do meu lado e nunca tiveram a chance de “crescer” comigo nesses cinco anos. Depois de tanto tempo longe, eu comecei a passar mais tempo com minha família e apreciar o país que eu nasci. Aprendi a apreciar coisas pequenas quando tive tão incerta de se ia ter a chance de continuar vivendo ou não. Isso tudo aconteceu porque eu parei de olhar para o do outro e passei olhar para mim. Não como egoísmo, eu HOJE preciso estar bem comigo mesma para poder ajudar uma outra pessoa. Pela primeira vez não me senti impostora da minha própria história.


O que eu compartilho hoje é o que me faz feliz, o Instagram deixou de ser algum tipo de trabalho e se tornou pessoal meu, deixei de pregar uma vida pra tentar impressionar o outro com imagens e não com ensinamentos, não me sinto mais na obrigação de fazer algo, estar ao redor de pessoas que não possuem mesmos valores ou me submeter a algo que não condiz com meus sonhos e minhas prioridades. O conteúdo que eu compartilho é genuíno e de coração, inclusive publicidades (as marcas que faço propagando eu filtrei, escolhi e ACREDITO nelas como elas acreditam em mim e no meu público).


Muitas pessoas deixaram de me seguir por não terem mais interesse, mas o que eu faço hoje é para as pessoas que continuaram me seguindo depois de tanto tempo, depois de toda essa mudança e processo de evolução, porque VOCÊS QUEREM E SÃO CAPAZES TAMBÉM! Para essas pessoas, eu sei que vocês se preocupam comigo, quero que saibam que são muito importantes para mim e eu peço perdão se gradativamente parei de compartilhar meu dia a dia e estar presente no Instagram, mas é que eu comecei a estar presente na minha vida.


E eu nunca estive tão bem. A vida é maravilhosa quando você aprende e se dá a chance de viver ela.


Texto escrito no dia 18 de Agosto de 2018.

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